A síndrome do anticorpo antifosfolipíde (SAF) pode causar trombose (coágulos) nas artérias ou veias, sendo uma das principais causas de aborto recorrente e também de acidente vascular cerebral (AVC) em jovens. Estima-se que 1 em cada 5 pessoas que tiveram um AVC  antes dos 40 anos pode ter SAF.

Pode ocorrer em todas as faixas etárias, desde crianças até idosos, mas é mais comum entre  20 e 50 anos de idade. Ela pode estar associada a outras doenças reumatológicas como o lúpus, e também pode ocorrer de forma isolada (SAF primária).

Entenda a Doença

É muito importante que você entenda os aspectos da sua doença e do seu tratamento. Se você estiver em uso de anticoagulantes, tome cuidado para não se acidentar, pois essas medicações aumentam o risco de sangramentos. 

Causas da Síndrome antifosfolípide

É uma doença autoimune, ou seja, é causada por uma alteração no sistema de defesa do organismo (sistema imune), que faz com que ele “ataque” o seu próprio corpo, produzindo sintomas. Na SAF o sistema imune produz anticorpos chamados antifosfolipídes, que atacam proteínas relacionadas aos lípidios do seu corpo e podem interferir com células sanguíneas aumentando a coagulação dentro dos vasos. Nas grávidas eles podem afetar as células do útero e da placenta, reduzindo a velocidade de crescimento do bebê e aumentando as chances de abortamentos. Entre os anticorpos temos: anticardiolipina, anticoagulante lúpico, beta-2-glicoproteína e muitos outros em estudo.

Além da própria doença, existem outros fatores que aumentam o risco de trombose: tabagismo (cigarro), imobilidade (vôos de longa distância), uso de anticoncepcional,  trombofilias e outras doenças reumatológicas.

Sintomas da Síndrome antifosfolípide

Os dois principais problemas relacionados à SAF são as tromboses e os problemas da gestação, principalmente os abortos de repetição.

As tromboses podem ocorrer:

Nas veias: Na trombose venosa profunda (TVP) geralmente ocorre dor e inchaço tipicamente em panturrilha. Uma parte do coágulo pode viajar pela corrente sanguínea e causar uma embolia pulmonar (TEP), ocasionando falta de ar e dor torácica.

Nas artérias: Acidente vascular cerebral  (AVC) – dor de cabeça, dificuldade para movimentar os braços ou pernas, esquecimento, problemas de fala e visão.

Na gestação a SAF está relacionada com:

Aborto recorrente:  pode ocorrer em qualquer momento da gravidez, mas é mais comum entre 3 e 6 meses. 

Outras complicações – pressão alta na gravidez (pré-eclâmpsia), parto prematuro, restrição de crescimento fetal.

A SAF está associada a outros problemas também:

Coração: as válvulas do coração podem ficar mais espessas e trabalhar com dificuldade. Além disso, a parede das artérias pode ficar mais espessa e levar à angina (dor no peito)

Rins: a SAF pode fazer com que os vasos sanguíneos fiquem mais estreitos, incluindo os renais. Isso pode levar à pressão alta. 

Pele: manchas esparsas na pele que aumentam no frio (livedo) também podem acontecer. 

Plaquetas baixas: as plaquetas são pequenas células do sangue responsáveis pela coagulação. Alguns portadores de SAF podem ter níveis baixos de plaquetas, geralmente sem sintomas. Se os níveis ficarem muito abaixo do normal podem ocorrer equimoses ou sangramentos. 

SAF catastrófica: condição muito rara caracterizada por microtromboses no corpo todo que podem lesionar vários órgãos. Ela pode ser desencadeada por uma infecção, trauma, medicação ou cirurgia. ​

Diagnóstico

O diagnóstico é feito pelo médico, analisando os sinais, sintomas e exames laboratoriais. Suspeita-se de SAF em casos de trombose (arterial ou venosa) ou abortamentos recorrentes, e nesses casos são realizados exames de sangue para investigação de SAF, em 2 ocasiões diferentes, com um intervalo de 12 semanas entre elas.

Os exames são:

  • anticardiolipina
  • anticoagulante lúpico
  • anti-beta-2-glicoproteína I.

Esses três exames detectam se os anticorpos antifosfolípides estão presentes no seu sangue. O resultado do anticoagulante lúpico é positivo ou negativo, enquanto os resultados dos outros dois testes são dados em números. Algumas vezes os níveis do anticorpo podem aumentar por outro motivo, como uma infecção,e depois os níveis voltam ao normal. Por isso que para confirmar a doença precisamos repetir o exame 12 semanas depois. Níveis mais altos de anticorpos (anticardiolipina ou beta-2-glicoproteína) indicam um risco maior de tromboses e sintomas. Apresentar os 3 exames positivos também confere um maior risco de tromboses e outras manifestações da doença.

É importante ressaltar que a presença  do exame positivo, mas sem sinais clínicos, não é suficiente para o diagnóstico de SAF. O médico deverá avaliar o nível destes anticorpos, quantos deles estão alterados, se existem outros fatores de risco para trombose e se existem alguns sintomas típicos de SAF como enxaqueca e livedo. 

Como é o tratamento da Síndrome antifosfolípide

Muitos portadores de SAF se sentem bem e tem poucos sintomas. A SAF, apesar de não ter cura, tem tratamento e o objetivo do tratamento é prevenir as tromboses e os abortamentos. Para isso são necessários um diagnóstico precoce e a combinação certa de medicamentos. 

O tratamento é feito com anticoagulantes, os quais servem para evitar as tromboses e os abortos. As medicações mais usadas são a aspirina, à varfarina e a heparina. 

Se você tem anticorpos positivos mas nunca teve trombose, pode ser que o seu médico prescreva aspirina em dose baixa. Isso não garante que você não terá trombose no futuro, mas pode reduzir as chances. Caso tenha outros fatores de risco para trombose, como história na família, ou sintomas típicos de SAF como enxaqueca e livedo reticular, pode ser necessário o uso de varfarina. 

Se você tem SAF e um histórico de evento trombótico, é provável que utilize varfarina por via oral para evitar novas tromboses. Você terá realizar exames de sangue regularmente (RNI) para verificar o efeito que o medicamento está tendo e, se necessário ajustar a dose. O efeito colateral mais grave do tratamento com varfarina é o sangramento, e é por isso que o monitoramento com exames é tão importante. A varfarina pode interagir com diversos alimentos e bebidas. 

Se você teve uma série de abortamentos espontâneos, mas sem história de evento trombótico, existem duas situações: o tratamento durante a gestação para prevenir abortamentos, e o tratamento fora da gestação para prevenir as tromboses. Durante a gestação, o tratamento pode ser realizado com aspirina em baixas doses, ou com injeções de heparina, principalmente se os abortos anteriores ocorreram do meio para o final da gestação, ou se já ocorreram complicações como pré-eclâmpsia. É muito importante ter o acompanhamento do reumatologista junto com o obstetra. Se você teve abortamentos e recebeu o diagnóstico de SAF, você tem um risco aumentado de desenvolver tromboses, e pode ser necessário o uso de aspirina mesmo depois que o bebê nasceu.    

Caso você esteja usando varfarina e planeja uma gestação, o seu médico deverá avaliar a troca da medicação por heparina, pois a varfarina é potencialmente prejudicial para o bebê.

As complicações da gestação podem ocorrer mesmo com o tratamento. Entretanto, os avanços no entendimento e no tratamento da doença tem contribuído para resultados cada vez melhores na gestação. Com o acompanhamento adequado, existem boas chances de o bebê nascer sem problemas à longo prazo.

Convivendo com SAF

Exercícios:

Embora não haja nenhum exercício específico que possa ajudar com a condição, exercitar-se regularmente ajudará a mantê-lo apto e manter seu coração saudável.

Dieta e nutrição:

Manter uma dieta saudável e equilibrada é importante para a sua saúde geral e pode ajudar a evitar que você desenvolva tromboses. Você também deve manter um peso saudável e parar de fumar.

Dicas na prevenção de eventos trombóticos:

Cigarro: evite fumar, pois como já mencionamos, o cigarro aumenta o risco de tromboses.

Bebida alcoólica: evite tomar quantidades excessivas de álcool 

Uso de anticoncepcional:  discuta sempre com seu médico em relação ao uso de anticoncepcional, pois sabemos que alguns tipos podem aumentar o risco de coágulos

Reposição hormonal: converse com seu médico, pois após a menopausa a reposição hormonal pode aumentar o risco de tromboses. 

Viagens aéreas de grande distância: veja com seu médico se você quais medidas tomar para diminuir o risco. Lembre-se de fazer uso de meia elástica, manter movimentação de pernas durante o vôo, e de levar as medicações na viagem. Tratamento adequado das comorbidades (diabetes , hipertensão arterial e colesterol alto): são medidas que auxiliam a diminuir o risco de tromboses.

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